O Ciranda Literária, um desdobramento do "Clube da Leitura: a gente catarinense em foco", é um projeto que traz em si o potencial de oportunizar a construção de uma comunidade de leitores e escritores entre os profissionais da Educação que atuam na Rede Municipal de Ensino de Florianópolis. É uma ação permanente e periódica com intuito de estimular seus integrantes a compartilharem ideias e preferências literárias, além de aproximá-los a escritores e/ou editores catarinenses.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Relatório do 3º Encontro

Relatório do 3º Encontro

O 3º encontro das participantes do Ciranda Literária não aconteceu no dia 22/06, como estava previsto. A forte chuva, o frio intenso e o fato de ser véspera de feriado parece ter contribuído para a falta de quórum. Nossa querida participante Maria da Luz veio com sua costumeira vontade de partilhar reflexões sobre a leitura. Juntamente com ela, chegamos à conclusão de que o ideal seria remarcarmos a data do encontro.

Assim, no dia 13 de julho, realizamos nossa conversa a respeito do livro São Bernardo, de Graciliano Ramos, na biblioteca do CEC. Para mediar a troca de pontos de vista acerca da obra, tivemos a presença marcante da professora Silvana Gili, que encantou a todas com sua sensibilidade e profundo conhecimento literário. Silvana é apaixonada pela leitura e pela literatura. Trabalha como voluntária na Biblioteca Comunitária Barca dos Livros, aqui em Florianópolis.

Entraram na roda temas, como a reificação humana, o egoísmo, a objetividade implacável, a personalidade arrebatadora e bruta do protagonista-narrador, Paulo Honório. Por outro ângulo, observamos também a contraditória atitude dele em relação ao tratamento humano dado à velha doceira Margarida, bem como à iniciativa dele de escrever um livro. Neste ele conta sua história, como um meio para entender sua própria mente conflitante e os trágicos acontecimentos que permearam sua existência.

Nossa conversa girou em torno desses e de outros aspectos do perfil de Paulo Honório em contraposição à sesibilidade, delicadeza e fragilidade emocional de Madalena, a professorinha que ousou conviver e criar laços afetivos com tal personalidade. Neste sentido, procuramos desconstruir nossa visão maniqueísta sobre a trama criada por Graciliano Ramos.

Trouxemos também para a discução as diferentes visões de cada um dos personagens desse romance sobre a Escola. Além disso, não deixamos de considerar alguns pontos relevantes acerca da vida e da obra desse importante escritor brasileiro.


Nossa mediadora, Silvana, trouxe pontos muito interessantes para a reflexão, contribuindo de forma enriquecedora para a consolidação das ideias do grupo. Agradecemos-lhe imensamente a sua importante presença e esperamos contar com ela em outros encontros.


Ao final, as participantes fizeram o empréstimo do livro O Alienista, de Machado de Assis que será o centro das atenções no próximo encontro.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

RELATÓRIO DO 2º ENCONTRO

Relatório do 2º Encontro


Uma boa conversa, com café, no centro de convivência do CEC, foi o ponto de partida para o segundo encontro do Ciranda Literária, realizado no dia dezoito último. Já na biblioteca, que é o local dos encontros, foi retomada a conversa sobre a dinâmica dos encontros antes de iniciarmos o bate-papo sobre o livro Cidades marinhas, solidões moradas, de Denniz Radünz.
Infelizmente o escritor teve um problema de saúde que o impossibilitou de participar da conversa. Mesmo assim, o grupo não desanimou. Ao contrário, a obra foi relida animadamente sob diversos aspectos e ângulos, mais precisamente sete pontos de vista, ora difusos, ora congruentes.


O poético, a literalidade, a intertextualidade presentes na obra, além da relação do autor com a Ilha e o mar, a solidão, o saudosismo, foram abordados pelas participantes presentes. Maria, por exemplo, ressaltou logo de início, sua identificação com a forma poética de o autor se referir à Ilha, especialmente, à Lagoa. A temática da Ilha também atraiu Bernadete, que é paulista, para a leitura, que lhe pareceu uma autobiografia. Aliás, o grupo conversou muito sobre essa faceta da obra que não parece se restringir apenas às crônicas Moradas Volantes, Banho de fosso e Escrito em vermelho, como diz Dorva Rezende na apresentação. Heliete expôs que só depois que leu a sentença “Ilha das tormentas”, proferida pelo personagem taxista, na crônica Jamais a Natureza, é que se deu conta do saudosismo do narrador em relação a uma ilha idealizada, em contrapartida à crítica dele, voltada para a cidade real, invadida e transformada pela modernidade. Um saudosismo às avessas, como lhe pareceu, contrapondo o narrador/escritor ao romântico Gonçalves Dias. Tal descontentamento pareceu explícito a Lidyani desde a primeira crônica, Cidades Marinhas ou que seriam. Ela inclusive atribuiu esse mesmo “olhar” do escritor à crônica A solidão é azul exorbitante, em que o narrador expõe mais explicitamente o quanto a realidade o choca.
Outro ponto bastante comentado por todas foi a transparente veia poética do autor e que perpassa toda a obra. Algumas marcas poéticas levantadas pelo grupo foram as figuras de linguagem (metáfora, prosopopéia, sinestesia e paradoxo), as expressões inventadas e as imagens criadas a partir delas, como “beija-flor morrente”, “sorriso de olhos”, “o poço é um precipício portátil”, “clima de mar vazio”, “canções quase choradas”, “ruã”...

Consideramos a intertextualidade um dos pontos altos da obra. Muitas referências não identificamos, outras, mais evidentes, foram lembradas. O grupo leu também A arte de ser feliz, de Cecília Meireles e o poema Violões que Choram, de Cruz e Sousa. Este último na obra: Cruz e Sousa: Poesia e Imagem, organizada por Juliana Dalla, em que inclusive deciframos um dos enigmas: quem era Gavita? O “Aurélio”, trazido ao grupo pela Lidyani, ajudou-nos a descobrir o outro enigma: quem ou o que era Ondina?

De fato foi uma boa conversa, com aquele gostinho de quero mais e também com aquela sensação de crescimento do grupo. Como disse Maria: _ “Na primeira leitura, não estava entendendo as coisas que o autor colocava. Depois, lendo uma segunda vez, você já entra na linguagem dele. Fica mais acessível”.



Para encerrar as atividades do encontro, alguns livros de literatura infantil e juvenil do acervo do Clube da Leitura foram colocados à disposição do grupo para empréstimo.

Ao final, todas as participantes presentes receberam um exemplar do livro A Ponte Sumiu, doado pelo próprio autor, Carlos Stegemann.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cidades Marinhas: solidões moradas

Oi pessoal,

Como está a leitura de "Cidades Marinhas: solidões moradas", de Dennis Radünz?

Em que ponto do livro estão e o que estão achando até o momento?

Mal podemos esperar pelo nosso próximo encontro, marcado para o dia 18 de maio às 18h30min, na Biblioteca Central. Será o momento ideal para expormos e trocarmos nossas impressões, curiosidades, indagações, sugestões ... sobre essa obra. O autor já é presença confirmada. Nossa expectativa é de que teremos uma noite de bate-papo agradável e de um convívio social e literário enriquecedor.

Até lá!
A Coordenação

segunda-feira, 25 de abril de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

1° Encontro

Este relatório tem como objetivo contribuir para construção da memória do Projeto Ciranda Literária, intensificar as reflexões inerentes ao seu desenvolvimento e propiciar uma avaliação dos encontros realizados. No dia 16 de março de 2011, na Biblioteca Central da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis, reuniram-se os educadores inscritos no Ciranda Literária. Este primeiro encontro teve inicialmente um foco maior nas questões organizativas e de funcionamento do projeto. Na sequência, houve uma agradável conversa com a escritora convidada, Yedda de Castro Goulart. Iniciamos o encontro com a apresentação dos educadores leitores presentes. Estes receberam uma ficha na qual foram convidados a se identificarem e registrarem suas perspectivas ao participar do Ciranda Literária. Ao apresentar-se, cada participante leu seu pequeno texto e, a seguir, disponibilizou-o no painel interativo do projeto.


Conforme as pessoas presentes foram se apresentando, percebemos que suas expectativas em relação ao projeto não correspondiam ao objetivo dele. Esses educadores esperavam ampliar seu conhecimento sobre literatura infantil e juvenil catarinense e aprender novas dinâmicas de trabalho de leitura, para realizarem com seus alunos. Esclarecemos a eles que tal proposta é a do Projeto Clube da Leitura: a gente catarinense em foco. O Ciranda Literária não a contempla. Ele está voltado para a construção de uma comunidade de leitores e escritores entre os profissionais da Rede Pública Municipal de Ensino. Em outras palavras, a ideia central é formar uma rede de educadores leitores, dispostos a trocar leituras, discutir temas, conhecer diferentes pontos de vista e divertirem-se a partir da leitura de obras literárias, além de conhecerem escritores catarinenses convidados.


A partir das expectativas dos presentes e, após a apresentação das diretrizes do projeto, foi necessário que reavaliassem sua permanência no grupo. Contextualizamos a proposta de funcionamento do Ciranda Literária, explicando-lhes que ela teve três elementos motivadores. O primeiro deles foi a disposição da SME para oportunizar um espaço de formação de educadores leitores. O segundo foi a participação de sua idealizadora no Círculo de Leitura, coordenado pelo poeta e professor Alcides Buss, na UFSC. O terceiro elemento motivador foi o filme “O clube de leitura de Jane Austen” (Sony Pictures Classics, 2007), assistido pela equipe do projeto. Com base nestes dois estilos de “Círculo de leitura”, a proposta da SME foi construída e adaptada, considerando-se aquilo que ambos os modelos tinham de melhor para nosso público. Assim foi pensada a promoção de encontros para conversas sobre leituras, com a presença de um escritor convidado, aos moldes do Círculo da UFSC e, como no filme, com todos os participantes lendo o mesmo livro, a fim de que as conversas fiquem mais ricas. Na sequência, apresentamos aos educadores os espaços de encontro para o desenvolvimento do projeto: inicialmente o espaço virtual, o blog http://cirandaliteraria-pmf.blogspot.com/, no qual está divulgado o projeto na íntegra. Este blog será um canal de comunicação entre os participantes e também um repositório de informações atualizadas sobre o desenvolvimento do projeto, tanto organizacionais quanto sobre as experiências de leituras, troca de sugestões, entre outras ações. No âmbito virtual, também foi criado um grupo dentro da rede social SKOOB (www.skoob.com.br/grupo/1819), que será ainda sugerido aos participantes e ficará vinculado ao blog. O espaço formal do Ciranda será a Biblioteca Central da SME, onde realizaremos os oito encontros deste ano. Em cada um dos próximos encontros (do 2º ao 8º) conversaremos a respeito de uma das obras escolhidas, ou seja, o prazer de ler e de compartilhar impressões sobre livros dará o tom dos encontros. As próximas datas são: 18/05, 22/06, 13/07, 17/08, 14/09, 19/10 e 23/11.


Feita a exposição da proposta e com os participantes cientes dela, passamos a explorar o acervo de livros disponibilizado na sala. O objetivo era folhear, relembrar ou reconhecer os títulos sugeridos. Numa conversa informal, destacamos aquelas obras que possuem exemplares suficientes para todos os participantes nas bibliotecas escolares da SME. Isto contribuiu para a definição do primeiro livro a ser lido por todos: Cidades Marinhas: solidões moradas, de Dennis Radünz. A maior parte das obras sugeridas estão distribuídas nas bibliotecas das escolas municipais, às quais recorremos para fazer um levantamento dos títulos disponíveis, com a finalidade de compormos o acervo necessário e orientar os educadores no empréstimo das obras escolhidas. Verificamos que a Biblioteca Municipal Barreiros Filho e a Biblioteca da Ong CEDEP também possuem alguns dos títulos sugeridos, portanto, é mais um local onde os participantes podem realizar o empréstimo de obras.




No segundo momento do encontro, tivemos a presença da nossa ilustre convidada, a escritora Yedda de Castro Goulart, que nos presenteou com uma reflexão acerca da importância da leitura literária.




O texto da palestra da escritora Yedda ficará registrado em uma postagem neste blog.


Ao final do encontro compartilhamos um café, conversas, ideias...